Instituto de Estudos Filosóficos
facilityCoimbra, Portugal
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Top-cited papers from Instituto de Estudos Filosóficos
The author compares the views of analytic philosophy regarding argumentation and its philosophical relevance, with those of contemporary argumentation theories, in general, regarding the philosophical idea of meaning.He shows that, in the first case, the theory of meaning (Russell, Wittgenstein, Quine, and others) excludes argumentation and an approach on it, and, in the second, argumentation theories exclude, in practice, a theory of meaning, at least insofar the concept of meaning must be philosophically understood.The author concludes studying the role of each of these theories (meaning/argumentation) in Stephen Toulmin's philosophy, where, by contrast and according to his interpretation, rhetoric and argumentation are at the core of the foundations of philosophy and of human knowledge and action as a whole.
Resumo: O Problema XXX foi objecto de múltiplas interpretações suscitadas pelo seu pressuposto basilar segundo o qual todos homens capazes de performances excepcionais teriam em comum o facto de serem melancólicos.No artigo presente explora -se a ideia de que tal tese, em grande medida inédita e em descontinuidade com a obra de Aristóteles, dá a ler certos princípios da abordagem terapêutica da condição melancólica.De modo congruente com a obra aristotélica, a forma trivial de melancolia -congénita ou adquirida -afecta as faculdades perceptivas, cognitivas e morais, sendo origem de perturbações do comportamento e sofrimento mental.Tal condição, que remete para um excesso de bílis negra sendo abordada sem sistematicidade em vários pontos do Corpus Aristotelicum, requer medidas profiláticas pois suas variantes letais são assintomáticas e de manifestação súbita.Já enquanto condição crónica exige constante vigilância relativamente àquilo que poderá afectar um equilíbrio sempre sob ameaça.No presente artigo mostra -se como essa observação terapêutica do melancólico segue a fixação de um quadro nosológico alternativo ao das teorias médicas constantes do Corpus Hippocraticum, ainda que mantenha com o mesmo afinidades genéricas, nomeadamente quanto aos modos de reequilibrar a mistura (krasis) dos humores, explorando as potencialidades do organismo e das substâncias.Algumas divergências podiam ser já encontradas nos diálogos platóni-
Neste artigo procurar-se-a, em primeiro lugar, esbocar o quadro em que se pode colocar a questao do multiculturalismo a partir de tres fenomenos que o contextualizam na actualidade: a erosao do Estado-Nacao, a Globalizacao e a Sociedade-Rede. Num segundo momento serao analisadas as dificuldades inerentes a caracterizacao do multiculturalismo e, num terceiro momento, procurar-se-a tematizar, em sede epistemologica, a questao do multiculturalismo, num debate sobre incomensurabilidade versus possibilidade de dialogo entre as diversas interpretacoes de mundo proprias de diferentes visoes culturais. Finalmente, partindo da constatacao do caracter redutor da epistemologizacao exagerada da problematica do multiculturalismo, inflectir-se-a o seu equacionamento para outras vertentes, como a vertente da identidade cruzada com a vertente da afectividade, aprofundando o conceito de mesticagem, como sinonimo de identidade multipla e composita e como exercicio de um dialogo intercultural que podera encontrar na actividade artistica um modelo fecundo de concretizacao.
Few times has there been an inquiry about the origin and cause of the opposition between physis and nomos. The so called Greek Illustration, on the fifth century A.C, emerges as an initial explanation of the development that the hermeneutics of these concepts has followed. It is relevant to speak about the etymology of both Greek terms, as the changes and widening provoked by linguistic use are the starting point for philosophical reflection. This reflection can be generated in different spheres, being particularly illustrative the ones of tragedy, politics and philosophy in its confrontation with sophistic, if we place ourselves in the fifth century. There, in the political discussion, in the philosophical reflection and in tragic theatre, can the ultimate meaning that the Greeks gave to physis and nomos be appreciated with more realism.
Breve introdução à filosofia (falsafa) arábico-islâmica concebida sob o signo do diálogo e com a convicção de que a filosofia ainda é um programa actual e antídoto contra a violência. Alquindi, Rhazes, Alfarabi, Avicena, Algazel, Avempace, Abentofail, Averróis, Ibn Khaldun e Ibn As-Sid - eis os filósofos apresentados de forma acessível e didáctica.
O nosso tema de investigação é «Encontro Terapêutico e Filosofia. Um caminho percorrido com Paul Ricoeur.» Muito se questiona acerca da utilidade da Filosofia na nossa sociedade. Ao falar com o público em geral, mas sobretudo em contexto profissional e com a geração mais jovem, deparamo-nos muitas vezes com o espanto e a indignação manifestados na pergunta: «mas porque é que a filosofia interessa para o vosso trabalho, porque é que andam a perder tempo com isso, querem ir dar aulas?!» Com mais ou menos contornos, a resposta resume-se a um: «porque nos ajuda a fazer melhor o nosso trabalho, ajuda-nos a pensar melhor, portanto a viver melhor», já que aspiramos àquilo a que Aristóteles e Ricoeur chamam de vida boa. Daí que a escolha da nossa leitura para hoje seja sobre «Os três níveis do juízo médico», dado que este se debruça sobre os níveis de juízo que estão no face a face entre o médico e paciente. Não pretendemos, com esta leitura, comparar a nossa realidade profissional à relação terapêutica médico-paciente, que é bastante mais complexa e envolve, no presente, mais estruturas sociais, mas é um bom ponto de partida para o nosso estudo uma vez que, num caso e noutro há um encontro terapêutico, onde a queixa é muitas vezes mais narrada do que manifestada fisicamente, encontro este que deve ser regulado para proteção das duas partes (médico e paciente), as quais devem aspirar ao mesmo fim: a saúde/felicidade. Assim, pensamos ser necessário insistir na importância de uma reflexão sobre a finalidade da ação clínica, particularmente no agir médico e pensamos ainda que esta pode ser alargada à formação de terapeutas de áreas não convencionais. Ainda que não disponham do poder da ação médica, lidam com o humano na sua vulnerabilidade e fragilidade através de uma forma de cuidado e solicitude que o ajuda a ser.
📚 Cuidado, Tecnologia, Terapia / Care, Technology, Therapy 👥 Eds. Joaquim Braga e Marcela Uchôa 🖊️ Auths. António Dores, Beatriz Rayón Viña, Carlo Botrugno, Catarina Rebelo, João Emanuel Diogo, Joaquim Braga, Marcela Uchôa, Paulo Alexandre e Castro, Vasco Cordovil Cardoso 🏡 Instituto de Estudos Filosóficos 🌐 eQuodlibet: https://www.uc.pt/fluc/uidief/publica/equodlibet/ 🇵🇹 O volume "Cuidado, Tecnologia, Terapia" lança-nos no cerne do cuidado, da tecnologia e da terapia. É um convite para embarcarmos numa viagem através da ética, dos cuidados de saúde e da inovação, levando avante as fronteiras da investigação. Mediante lentes que refletem a envergadura do universo que se desdobra e a complexidade das dinâmicas interpessoais, esta obra induz-nos a repensar o significado da tecnologia na prestação de cuidados e na terapia. 🇬🇧 The volume "Care, Technology, Therapy" plunges us to the heart of care, technology, and therapy. It invites us on a journey through ethics, healthcare, and innovation, pushing forward the frontiers of inquiry. Through lenses reflecting the breadth of the unfolding universe and the intricacy of interpersonal dynamics, this book prompts us to reconsider the meaning of technology in caring and therapy. _ - Boas leituras / Enjoy reading 🧐 e... / and... Saudações Filosóficas! / Philosophical Greetings! 🦉
Este artigo trata da mulher no pensamento do enciclopedista Denis Diderot (1713-1784), por meio da análise do romance A Religiosa, escrito em 1760 e publicado após a morte do filósofo em 1796, no qual podemos destacar os efeitos dos claustros sobre a constituição psicofisiológica feminina e também discutir os cerceamento da liberdade feminina na sociedade francesa do século da luzes, uma questão recorrente na obra do filósofo.
The author argues that medieval solutions to the limit decision problem imply four-dimensionalism, i.e., the view according to which substances that persist through time are extended through time as well as through space and have different temporal parts at different times.
Partindo do «modelo dialogal» proposto por Christian Plantin e da sua definição de argumentação, procura-se neste artigo sugerir alguns conceitos essenciais para a análise das argumentações e contribuir para uma perspectiva de resposta às seguintes perguntas: a) Que tarefas descritivas poderão ser levadas a cabo por um analista da argumentação e como é
Aplaudiria Teixeira de Pascoaes, por certo, o projecto de Barbara Cassin, ja que no inicio do seculo passado soubera reconhecer nos intraduziveis portugueses fecundo campo de reflexao filosofica, num movimento centripeto que uniria, de acordo com a sensibilidade poetica saudosista, a lingua e a genese da alma portuguesa. Europeu e acolhedor da pluralidade linguistica, sem negar uma intencao politica, o Dictionnaire des Intraduisibles decorre da consciencia das dificuldades de traducao, ainda e sempre persistentes num tempo que corre irresistivelmente atras de uma lingua dominante,1 mas que tambem critica as imposturas intelectuais e o vazio provocados pela desenfreada terminologia, e das particularidades filosoficas que as linguas, ou melhor, determinados tracos semânticos das palavras intraduziveis, encerram. Confessando-se devedor da heranca de Benveniste2 e dos seus estudos sobre as linguas europeias, o projecto reflecte, sobretudo, a enunciacao de variantes lexicais nas linguas, nao tirando os editores todavia partido do facto de no volume figurarem Saudade e Sehnsucht, es gibt, il y a e ha, destin e Schicksal ou belief e croyance. Provavelmente, por detras desta confluencia encontrar-se-iam ja elementos suficientes para corroer os liames de uma teoria dos intraduziveis ou pelo menos para relativiza-
A Personalia.IEF publica, periodicamente, verbetes descritivos e críticos de apresentação dos docentes de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), desde a sua fundação (1911) até ao presente. Pretende ser um lugar de estímulo à investigação sobre a contribuição conimbricense para a Filosofia em Portugal e uma plataforma aberta às várias interpretações possíveis sobre tal contribuição.
O passo do Lysis que se trata de considerar neste breve estudo tem o carácter de uma “peça” de um puzzle muito mais vasto – e tudo o que veremos corresponde justamente à natureza fragmentária e unilateral que uma “peça” tem, quando arrancada ao puzzle a que pertence. Não poderemos aqui dar sequer um vislumbre da complexidade desse puzzle, mas importa ainda assim referir de passagem mais algumas das suas peças, a fim de se perceber um pouco melhor o contexto em que a “peça” do Lysis se vem inscrever e a “figura” que se desenha nela. Uma dessas peças diz respeito ao próprio campo semântico da palavra “ ύ”. ύ não é senão o nome de um advérbio ou de uma preposição relativa à ideia de lugar ou de tempo – e significa “apenas” qualquer coisa como “entre”, “no meio de”, “intervalo”, “entretanto”, etc. Por outras palavras: aos ouvidos dos Antigos “ ύ” não soaria como algo estranho, rebuscado ou distante, como se se tratasse de uma noção estritamente técnica, que pertence a um âmbito de realidade afastado da experiência comum e do uso familiar da língua. Pelo contrário: “ ύ” é tão familiar e evidente como o nosso “entre”, “meio”, etc. – e nada envolve de “transcendente” a seu respeito. Quer dizer: a noção de ύ era usada pelos Antigos da mesma forma desprevenida e familiar com que nós dizemos “estar entre a vida e a morte”, “estar entre a espada e a parede”, “ser meio caminho andado”, “meio cá, meio lá”, e expressões análogas. O que encontramos no Lysis está justamente em diálogo com esta noção comum, desprevenida: com algo que toda a gente sabe e que soa familiar a todos os ouvidos.
Simone Guidi (Rome, 1984) is currently a Researcher at the Italian National Research Council – Institute for the European Intellectual Lexicon and History of Ideas (CNR-ILIESI). His work focuses especially on the history of Early Modern Philosophy, with special attention to the Jesuit Scholastic context and its role in the genesis of the thought of Descartes. He has been an Assistant Professor of Philosophy at the University of Coimbra’s Faculty of Arts and Humanities (FLUC), as well as an FCT Post-Doc Fellow at the University of Coimbra’s Instituto de Estudos Filosóficos. He is the editorial coordinator of the international project Conimbricenses.org (directed by Mário Santiago de Carvalho), and the author of many academic volumes and articles. This book collects six unpublished and published academic studies on the thought of Francisco Suárez, which is addressed through accurate textual analyses and meticulous contextualization of his doctrines in the Scholastic debate. The present essays aim to portray two complementary aspects coexisting in the work of the Uncommon Doctor: his innovative approach and his adherence to the tradition. To this scope, they focus on some pivotal, but often neglected, topics in Suárez’s metaphysics and psychology – such as his theories of cognition and truth, angelology, continuous quantity – thereby developing an original inquiry into a crucial moment in the development of Western philosophy. Contents: 1. The Order of Knowledge: Fonseca and Suárez on the Confused and Distinct Starting Point of Science (21-76) 2. The Truth We Know. Reassessing Suárez’s Account of Cognitive Truth and Objective Being (77-114) 3. Is Truth a Property of Things? Suárez’s Razor on Transcendental Truth (115-154) 4. “Solo lumine naturae utens”. Suárez and the ratio angeli. Remarks on DM 35, 1-3 (155-184) 5. Suárez’s Metaphysical Investigations on Angelic Intellects. A Comparative Reading of DM 35, 4 and De Angelis, II (185-229) 6. Suárez’s Theory of Entitative Extension and its Reception Until Descartes (231-260) Bibliography & References (261-292) Index Nominum & Rerum (293-301).
Personalia.IEF publica, periodicamente, verbetes descritivos e críticos de apresentação dos docentes de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), desde a sua fundação (1911) até ao presente. Pretende ser um lugar de estímulo à investigação sobre a contribuição conimbricense para a Filosofia em Portugal e uma plataforma aberta às várias interpretações possíveis sobre tal contribuição.
No contexto da mundialização da contemporaneidade filosófica, dominada pela agenda da anglo-ocidentalidade filosófica, a filosofia feita em Portugal tem sido relegada a uma posição de marginalidade. O intuito deste estudo é aprofundar a discussão sobre o tema e contribuir para futuras investigações no âmbito dos estudos da Filosofia em Portugal e das suas relações internacionais, procurando deixar claro que tal filosofia não acontece num vácuo geo-cultural. Para tal, debruçar-me-ei por sobre os cruzamentos entre os pensamentos de Leonardo Coimbra e de Vladimir Solovyov, esperando constituir uma base para futuros estudos sobre a recepção do pensamento do filósofo russo por parte do filósofo português. De facto, a interseção entre esses dois pensadores é, para além de expressa por Leonardo Coimbra, discernível assim que examinada.
A filosofia diderotiana consubstancia, na perfeição, um enraizamento das possibilidades da razão na vasta teia estética tecida pelas relações sensíveis que o ser humano mantém com as suas construções culturais, sejam estas as da própria linguagem ou as do universo artístico. Aliás, se há imperativo teórico que pode ser retirado da multifacetada obra de Diderot, é o que pressupõe uma reconciliação epistémica da filosofia com a estética, compreendida esta última não, apenas, como fonte inigualável de informações da natureza da sensibilidade e da natureza dos fenómenos sensíveis, mas, também, como âmago reflexivo fundamental para serem filosoficamente articulados todos os conteúdos e conceitos que escapam à forja do pensamento escrupulosamente dedutivo. Dando sequência analítica a tal imperativo e recorrendo quer aos textos filosóficos quer aos textos literários do enciclopedista, os autores dos capítulos deste volume mostram-nos os vários pontos de intercessão da vida do pensamento com as suas dimensões materiais e sensíveis, assim como as principais consequências que daí resultam para a configuração das formas de organização social. Em muitos casos, o retorno ao sensível, promovido por Diderot, significa tanto a ênfase posta na emancipação da e pela arte quanto a imprescindível crítica do ideário social do seu tempo e da sociedade moderna em geral. Os pressupostos materialistas da filosofia diderotiana, tantas vezes equivocamente dissecados, são, nesse sentido primeiro, correlatos inevitáveis das várias funções reflexivas e críticas exercidas pela inclusão da sensibilidade nos modos de articulação das vivências subjectivas e intersubjectivas. Logo, no conceito de “matéria” encontra-se já a indelével marca do conceito de “sensibilidade” ou, se assim se preferir, o sensível é o terminus a quo da inteligibilidade do material.
G. W. Leibniz: NOVO SISTEMA DA NATUREZA E DA COMUNICAÇÃO DAS SUBSTÂNCIAS, BEM COMO DA UNIÃO QUE HÁ ENTRE A ALMA E O CORPO. PRINCÍPIOS DA NATUREZA E DA GRAÇA FUNDADOS SOBRE A RAZÃO. Tradução, introdução e notas de Nuno Ferro
Servem as seguintes páginas de exploração do conceito de simpatia em A Teoria dos Sentimentos morais, de A. Smith, perante as três questões que mencionamos no título. As primeiras duas são colocadas pelo próprio Smith na obra, e sobre elas versará o capítulo<br> inicial da Teoria. A terceira corresponde a uma interpretação nossa, e corresponderá à questão que Smith procuraria responder, em parte, no segundo capítulo da obra.
In the second half of the 1960s, scholars became more concerned with the epistemic status of the sciences called "the more physical of the mathematics" by Aristotle, or "mixed sciences" by the Latin Avicenna and "middle sciences" by Aquinas. The list of such sciences comprehended astronomy, optics and harmonics (music), whereas mechanics was thought to be the poor man's counterpart to those. To such a list, Avicenna adds the science of the moving sphere and the science of the weights, additions maintained by Aquinas too. One of the main interests in the study of the mixed sciences was its relation with the Galilean physics. In reality, there are but a few explicit references to these sciences by Galileo. Nevertheless, one passage of the Discorsi, preceding the experience with the inclined plane, mentions the technical definition of the middle sciences and enumerates the main ones. Galileo is not interested in the epistemic issues that had kept thinkers busy as regards these sciences for centuries. Rather, he wants to establish a foundation to his definition of accelerated uniform movement and his postulate about inclined planes of the same height. These concerns kept him busy since the beginning of the study of the accelerated uniform movement in the Discorsi.